Défice pode aumentar por estar aos pulos de alegria

Uma agência de rating qualquer disse que as medidas que o governo se prepara para tomar são um passo fundamental para estabilizar o défice. O défice deve ter ficado contentíssimo com a notícia. Acho que a maioria dos portugueses não estará.

O primeiro-ministro está com o coração nas mãos por ter que tomar estas medidas. Claro que ele diz que está com o coração nas mãos com a mesma expressão na voz que usa para dizer que os magalhães são a melhor invenção desde a roda ou para exclamar porreiro pá ou para pedir que lhe passem o sal quando está a jantar.

Que levante a mão quem nunca tinha ouvido falar, antes da crise, em agências de rating. Não sei muito bem onde é que elas estavam quando a economia colapsou, nem sei muito bem o que aconteceu ao dinheiro que o estado disponibilizou para salvar os bancos da falência, ou, pior, da impossibilidade de darem bónus chorudos aos seus administradores. Mas afinal este foi um ano excelente para os bancos.

Os bancos devem estar contentíssimos. Deviam convidar o défice para jantar e fazer uma festança toda a madrugada.

Tudo para impressionar a União Europeia e as agências de rating e o FMI, “as pessoas que se reúnem e depois tomam as decisões que interessam a todos”. Mãos na cabeça. Não sabemos como chegámos a este estado. Corta-se no investimento. Não se investe na educação mas inventam-se diplomas escolares da farinha amparo, não se investe nos trabalhadores mas pede-se-lhes mais produtividade.

No meio disto tudo a União Europeia é cada vez menos União; está junta na saúde e na doença, mas mais na saúde que na doença. No meio disto tudo, a República faz anos e só há dinheiro para comprar meio bolo e as fatias saem cada vez mais pequenas para a larga maioria. No meio disto tudo, somos liderados por um primeiro-ministro fluente em inglês técnico e um presidente que gosta de bolo-rei e se recusa a comentar quase tudo porque não é o momento, nunca é o momento. Para a escolha, um líder da oposição que está preparado para o que der e vier desde que dê e venha daqui a uns anos, quando as coisas forem mais fáceis.

1 Comentário

Filed under Política

Uma Resposta a Défice pode aumentar por estar aos pulos de alegria

  1. helena

    está um primor!

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