As revistas cor-de-rosa são um fenómeno feminino. Homem que é homem não lê revistas cor-de-rosa. Ou, pelo menos, não é apanhado a ler uma revista cor-de-rosa. É quase tão mau como ser apanhado a ler uma revista azul-bebé. Se um homem é apanhado por um amigo a saber quem é a nova namorada do herdeiro de um principado qualquer só há uma coisa que pode dizer para se safar da situação:
- É que ela é bem boa!
- Ah bom, sendo assim…
A verdade é que, não raramente, as mulheres não só sabem quem é a nova namorada do príncipe, como conhecem os nomes de todas as namoradas que ele teve e de todos os membros da família real. O problema com as revistas cor-de-rosa em Portugal é que em Portugal nem sequer há monarquia, reis e rainhas, príncipes e princesas. A nós só nos saem duques.
Por isso em Portugal temos outro tipo de celebridades: actores, manequins, relações públicas, designers de interior com nomes bem e uma espécie muito particular que são as pessoas famosas por serem célebres. É claro que a nossa alta sociedade é muito mais baixinha que a dos outros. Isso nota-se quando por cá passa uma ave rara de hollywood e os nossos famosos saloios vão a correr pedir autógrafos, contrariando recomendações expressas da Paula Bobone. O nosso Jet Set é, quanto muito, um Jet Três ou Quatro.
Talvez por isso a maioria das mulheres não goste de dizer abertamente que lê revistas cor-de-rosa.
- Ah, só leio quando vou ao cabeleireiro…
O que nos leva a outro mistério feminino, o cabeleireiro. Para um homem parece que as mulheres passam a vida no cabeleireiro. E geralmente parecem vir de lá iguais. Chegam e olham-nos com uma cara que diz
- Não notas nada?
E, se por acaso a roupa não nos parece nova, convém dizer:
- Querida, esse penteado novo faz-te mais magra.
É, a vida a dois é feita dos pequenos nadas. E por falar em nada, é para evitar estas complicações com cabeleireiros que há tantos homens carecas.