Outubro 28, 2009

A tempestade

Há dias que correm mal. Nem correm: arrastam-se. Nesses dias geralmente chove; geralmente perde-se o chapéu de chuva para o vento ou esquece-se o casaco impermeável em casa. Mas se não chove a chuva, é o próprio dia vem a chover atrás de nós.

As tempestades não aparecem do nada. Não fosse assim e veríamos os anúncios dos meteorologistas em pequenos rectângulos coloridos entre o anúncio da astróloga Carmen e a promessa do vidente professor Fofana que é capaz de resolver todos os nossos problemas. As tempestades formam-se a pouco e pouco, nuvem a nuvem. Um dia evolui uma depressão que vem nem se sabe de que ponto cardeal. Depois chove, e chove tudo ao mesmo tempo. Somos levados numa torrente de lama e azares e pessoas desagradáveis.

Telefonamos ao professor Fofana, gastamos o saldo todo do telemóvel nas chamadas de valor acrescentado e no fim da chamada nem os feiticeiros africanos nos valem. Estamos perdidos e só nos apetece acordar noutro dia qualquer que não este. Enfim, chove a sério: se não são as densas cordas de água que ligam o céu que desaba à terra, são as outras, metafóricas, que vão daqui ao inferno.

O dia a seguir à tempestade pode não ser um dia bom, pode ser um dia como os outros, mas é tão melhor, tão calmo; mesmo que caiam umas pingas e no céu não se vejam senão nuvens brancas, descobrimos o sol.

Setembro 21, 2009

O Sporting é uma porcaria?


Perdido na tradução

Setembro 16, 2009

Para bom observador, meia vida basta.

Julho 3, 2009

O estado da nação

O Debate do Estado da Nação, aliás, todas as reuniões da assembleia,  podiam ser uma oportunidade para tirar ilações não só do estado da nação como das perspectivas de futuro. Claro que não é isso que se passa, nunca. Ainda ontem Louçã dizia: a pobreza aumentou em Portugal. Sócrates dizia a pobreza diminuiu, veja os números entre 2005 e 2007. Na bancada do Bloco de Esquerda riram-se, em 2009 de certeza que piorou – ainda não saíram foram números. E de tudo isto, que é bem pouco, os telejornais entregam-nos o soundbite. “Onde o governo pensa que é mais forte, é onde é mais fraco.” diz Louçã a Sócrates, “Você é que tem falta de rigor, senhor deputado.”, retorque Sócrates a Louçã.

Portanto o estado da nação é o seguinte:

- Nananananana!

- Tu é que és!

- Não, tu é que és!

- Já não brinco mais contigo.

Todos os deputados concordam, que todos os deputados são incompetentes, embora cada um deles resguarde umas quantas excepções, nomeadamente a sua própria pessoa. E assim, saltitamos de insulto em insulto; mas no que diz respeito a insultos as regras são claras: que se chamem aldrabões,  trapaceiros, ou pouco verdadeiros, demagogos, elitistas, mentirosos e vigaristas, incompetentes, criminosos, ignorantes indecorosos. Que se diga, sem apontar razões, que alguém é um inútil. Mas que nunca, nunca, se coloquem dois dedos na testa como se fossem cornos.

Duvido que os chifres do senhor Manuel Pinho quisessem de facto, dizer alguma coisa sobre a possibilidade de relações extraconjugais da esposa do líder parlamentar do PCP. Eu nem sei o homem é casado, e dúvido que o soubesse mesmo que lesse a Lux. O mesmo é dizer que a vida conjugal ou extra do líder parlamentar do PCP não interessa nem à coscuvilhice das senhoras reformadas que estão no cabeleireiro à espera de vez.  E se não interessa a elas não interessa a ninguém.

Portanto os cornos não significavam nada. E o deputado lá põe os dedos contíguos à testa, nos mesmos canais de televisão em que, ainda há pouco, ficámos sem saber quais são as propostas para o país dos partidos de assento parlamentar; ficámos sem saber repetidamente, e sem remissão possível. E o ministro sai, não porque não tem capacidade para fazer o trabalho que lhe foi atribuído, mas porque fez um gesto que, de certo, não significou nada para ninguém, nomeadamente para o próprio Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP a quem se dirigia a tal representação gestual dos concretos apêndices de um bovino.

Agora todos os partidos vêm lastimar o sucedido. O PS lastima porque já começa a fazer as contas matematicamente possíveis às legislativas, como se fosse o Benfica no fim do campeonato. Os outros lastimam que haja quem venha à televisão falar bem do trabalho do Ministro da Economia, sem por isso deixarem de abrir garrafas de champagne e dizerem de uns para os outros, temos que repetir isto um dia destes.

Julho 2, 2009

O que este homem percebe de buracos

Ele é especialista em buracos, já se percebeu. O que ele quer, acima de tudo, é voltar para poder fazer de Lisboa um queijo suíço. Sem deixar de abrir crateras no buraco orçamental, como se fosse um asteróide (com cuidado para não magoar, que ninguém quer magor os dinossauros). Com os seus discursos que também, não raramente, estão precisados de remendos. Com os buracos em cof cof Bragaparques cof se mete. E depois que venha outro para cavar daqui para fora.

Aliás, até daria um bom operador cemiterial, se conseguisse estar calado durante meia hora.

Junho 30, 2009

Operadores cemiteriais

No programa 30 minutos da RTP, falaram da profissão dos coveiros. E, aparentemente, agora chamam-se operadores cemiteriais. Dizia um coveiro: “Agora, operadores cemiteriais, as pessoas têm curiosidade… Ah, o que é que faz um operador cemiterial? Antes éramos só coveiros, as pessoas que enterram os mortos…” Ora bem, eles ainda são as pessoas que enterram os mortos, só que já ninguém sabe como se chama à pessoa que enterra os mortos, porque agora é um operador cemiterial.

Passo adiante as deduções socioantropológicas que podemos retirar daqui, não só sobre a humanidade como do povo português em particular, que não tenho tempo para isso, e vou ao assunto seguinte.

O Sérgio Godinho tem uma canção que diz:

“O coveiro que o diga quantas vezes já pegou na enxada.”

Será que agora terá que cantar:

“O operador cemiterial que o diga quantas vezes já pegou na enxada.”?

Só para não ferir susceptibilidades. O Sérgio também tem uma canção que diz:

“Pode alguém ser quem não é?”

E não, não pode. Alguém tem que enterrar os mortos, para maior descanso dos vivos. E eu não confio nos operadores cemiteriais, que nem sequer sei o que isso é.

Junho 18, 2009

Última hora: Não me vou candidatar à presidência do Benfica

Seguindo o exemplo dado por José Eduardo Moniz, venho aqui dizer que também eu não me vou candidatar à presidência do Benfica nas eleições a 3 de Julho. Gostava também de assegurar que também não pretendo escalar o Evereste nos próximos três meses, e que amanhã, entre diversas coisas que não vou fazer, vou igualmente não ser apresentado como jogador do Manchester United em substituição de Ronaldo.

Eu e José Eduardo Moniz juntamo-nos assim a diversos jogadores que também não vão ser transferidos para o Benfica, como o guarda-redes argentino Andújar ou Cristiano Ronaldo.

Junho 17, 2009

Tango – Scent of a Woman

Junho 8, 2009

Eleições

O PSD ganhou. Ninguém estava à espera disso, mas uma pequena maioria de uma pequena minoria de portugueses que foram às urnas escolheu o PSD para representar Portugal no PE. Li “Portugal está em mudança”, a propósito desta vitória, por um partidário dos sociais-democratas. Mas não está. Está a voltar a mais do mesmo. E a Manuela Ferreira Leite até já lá esteve?

O partido em que eu votei, não lhe consigo descobrir os resultados. Isto não é lá muito democrático.

Logo o meu, a única opção viável para mostrar o descontentamento em democracia -  ao contrário do que os portugueses pensam, e do que lhes impingem, votar alternadamente nos dois maiores partidos, não é vontade de mudar, mas sim de voltar a onde já se esteve antes.

Já sabia que não ia eleger ninguém, mas, ainda assim, queria muito saber os resultados. Não está fácil, porém. Numa democracia assim, perde-se realmente a vontade de votar.

P.S.: Cá está, depois de bastante googling. Reparem que os brancos quase duplicaram o número de votos. Nós, os descontentes com o discurso político em geral, somos também cada vez mais. Ninguém fala disso, no entanto. E tiveram muito mais votos que o MEP.

Junho 6, 2009

Patente #001 – Boletim de Voto Plus

O Boletim de Voto Plus funciona como qualquer boletim de voto usual, mas com um campo extra, igualmente assinalável com uma cruzinha de esferográfica preta: o campo Outros.